Sem Lei do Bem, empresas iniciam demissão em massa de cientistas da área de P&D

“É uma situação muito grave que estamos vivendo e estou falando só de São Paulo. São muitos profissionais de ponta sem emprego. Para onde eles vão? Vão sair do Brasil mais uma vez. Isso é perder cérebros num momento importante para um país que postula um lugar na Inovação”, lamenta o coordenador do Centro Interdisciplinar em Tecnologias Interativas da USP(CITI-USP), Marcelo Zuffo, entrevistado pelo Portal Convergência Digital, durante o Programa Roda Viva, da TV Cultura.
Zuffo quer uma mobilização da indústria e da academia por uma mudança de rumo no Governo. “É uma pena que o MCTI não tenha ninguém pensando uma política para manter cientistas no Brasil. A TV digital, por exemplo, é uma oportunidade para o Brasil conquistar um lugar no mundo. Hoje são mais de 500 milhões de telespectadores com o padrão brasileiro. E o que estamos fazendo? Vamos perder os nossos cientistas? O Brasil não sabe o que é uma política para TIC”, reclamou.
Estudo da IT Data, divulgado em primeira mão pelo portal Convergência Digital, deixa claro que a arrecadação extra do governo em 2016 ficará em R$ 3,5 bilhões, quase metade dos R$ 6,7 bilhões almejados.Isso porque as vendas vão cair com o reajuste dos preços com a cobrança do imposto – 9,25% – além do aumento do dólar e da inflação.
O levantamento da consultoria adverte ainda que o fim da medida poderá reacender um segmento que estava à margem: o mercado ilegal de produtos e componentes de informática, o chamado mercado cinza.“O PPB e a Lei do Bem para desktops e notebooks foi e ainda é fundamental para a existência de uma indústria de montagem no país e de alguns componentes que são atualmente fabricados localmente”, aponta o estudo.
Na semana passada, a Comissão Mista que analisou a Medida Provisória 690, parte do ajuste fiscal, aprovou um calendário para a retomada gradual da isenção de PIS e COFINS para equipamentos de informática e comunicações. O texto manteve o fim da isenção em 2016, mas prevê a retomada – em 50% para 2017. O benefício voltaria a ser integral apenas em 2019. “Essa medida não é boa. A Lei do Bem trouxe uma nova leva de projetos em Pesquisa e Desenvolvimento. Infelizmente eles vão parar por um ano e retomar pela metade em 2017?”,questionou Marcelo Zuffo.
Fonte: Convergência Digital